MEIO AMBIENTE – Pesquisador da área ambiental alerta para as formas de consumo e descarte dos alimentos

Prof. Marco Antonio Bumba

No Dia Mundial do Meio Ambiente a lição de casa é aprender a consumir e a descartar corretamente. Estes são dois pontos que, se todos entenderem e colocarem em prática, é possível salvar o planeta. Um dos vilões é o descarte de lixo inadequado, cujo decomposição produz o gás carbônico. Partindo do micro para o macro, ao decidir o que comer, o ser humano também escolhe um destino para o ecossistema. A questão ambiental e aspectos ligados ao consumo consciente e a sustentabilidade têm sido objeto de inúmeros projetos e pesquisas desenvolvidos em diferentes áreas da UNISANTOS.

 

Conforme a condição social e a região onde o indivíduo mora  há um tipo de consumo e descarte diferentes. Uma cidade grande ou altamente industrializada produz mais lixo eletrônico e plástico e menos lixo orgânico enquanto em regiões periféricas existe o desafio de dar destino correto aos restos de alimentos e as condições dos lixões municipais. Segundo o químico, professor mestre Marco Antônio Cismeiro Bumba, o brasileiro produz aproximadamente um quilo de lixo por dia.  “Em uma casa com cinco pessoas são cinco quilos por dia. Em um mês, 5 vezes 30, são 150 quilos. Multiplica 150 por 12 meses, por exemplo, são uma tonelada e oitocentos quilos por ano em uma casa. A cidade de São Paulo produz dez mil toneladas de lixo por dia”, destaca.

 

PESQUISAS – Pesquisador, Marco Bumba tem se dedicado a projetos ligados à redução dos impactos ambientais causados pela indústria e comércio. Entre os trabalhos que estão sendo realizados na Universidade, por meio do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas (Ipeci), o professor ressalta o que visa analisar a qualidade da água nos canais da Cidade e também dos componentes do sistema estuarino.” Nós temos uma grande quantidade de metais pesados aqui”, diz. Chumbo, mercúrio e cádmio são bioacumulativos (ou seja, o organismo não é capaz de eliminá-los) e foram encontrados em níveis preocupantes, acima do tolerável.

 

O docente, que atua nos cursos de Química, Engenharia Ambiental, Engenharia de Petróleo e Engenharia de Produção da UNISANTOS, acredita que os países mais avançados na pauta ambiental acabam forçando e exigindo um outro tipo de posicionamento dos demais. Como a Noruega, onde não é permitido comprar produtos importados que não tenham o selo verde exigido em todo o território. Esse tipo de pressão acaba fazendo a diferença. O governo norueguês também determinou que, a partir de 2022, não será mais permitido vender carro movido a combustível fóssil. É previsto por lei que até 2045 todos os veículos circulem nas ruas atendendo à medida.

 

Adianta virar vegano ou vegetariano para um mundo mais verde? Marco Bumba conclui que a medida implicaria em um aumento de produção muito grande de vegetais, legumes e verduras. Para mudar a dieta por uma causa mais ecológica é possível fazer a diferença comprando alimentos da estação e valorizando a produção local, pelas questões de transporte e embalagem. Adotar uma sacola de tecido é outra medida individual com grande impacto ambiental.