LUTO – Docentes ressaltam a importância de Luiz Celso Manço para o curso de Psicologia da UNISANTOS

Celso Manço durante o lançamento do livro

Personagem marcante na história da UNISANTOS e na atuação política em defesa da democracia, Luiz Celso Manço faleceu no sábado (20), aos 76 anos. Um dos fundadores do curso de Psicologia da instituição, atuou em sala de aula durante 33 anos. Referência para área de Psicologia, para docentes e estudantes, deixou eternizada sua história e memórias no livro “Psicologia: um pouco de história, memórias e reflexões”, lançado em 4 de outubro do ano passado, durante a 46ª Semana de Psicologia da UNISANTOS.

 

Generoso, humanista, ético, competente e corajoso são algumas características marcantes da personalidade do professor Celso Manço, ressaltadas por docentes e amigos que conviveram com ele durante muito tempo na UNISANTOS e em outras instituições em defesa da profissão, dos direitos humanos, com destaque para causas como a luta antimanicomial. Ele foi o fundador e o primeiro presidente da Sociedade de Psicologia da Baixada Santista, primeira entidade de psicologia da região; participou da fundação do Centro de Ciências do Comportamento de Santos; integrou o Conselho Regional de Psicologia, abrangendo os estados de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul; e foi membro do Conselho Federal de Psicologia.

 

Capa da obra do professor Celso Manço

CONSELHO DE PSICOLOGIA – Em nota de pesar, o Conselho Regional de Psicologia de São Paulo destacou sua atuação profissional na área e a participação histórica na política do País. “Sua capacidade de mobilização era admirável. Fez parte de inúmeros movimentos de resistência às tentativas de se retirar a autonomia profissional de psicólogas e psicólogos, nos anos 1970 e 1980, e militou no movimento antimanicomial que resultou na intervenção do Hospital Anchieta, em 1989, em Santos. Sua atuação política em defesa da profissão somada à filiação ao Partido Comunista Brasileiro incomodou a ditadura militar instalada no Brasil, à época. Foi preso político, tendo sofrido tortura. Décadas mais tarde, recebeu o pedido de perdão do Estado Brasileiro pelas arbitrariedades da ditadura. Aposentado, Celso dedicava-se a registrar suas memórias de quase cinco décadas de Psicologia na região”.

 

Docentes do curso de Psicologia com Celso Manço em evento na Universidade

DOCENTES E AMIGOS – Coordenadora do curso de Psicologia da UNISANTOS, a professora mestre Iara Candida Chalela Genovese ressaltou a figura marcante do professor e sua competência, com ênfase no humanismo, característica marcante destacada pelos amigos.  “Quando vim, em 1975, para lecionar no curso de Psicologia da UNISANTOS, o professor Celso foi um dos decanos da universidade que me acolheu muito bem. Sempre foi uma pessoa extremamente afável. A marca dele era a generosidade, era o humanismo profundo. Ele tinha uma característica ética impecável e mais do que tudo: ele era uma pessoa que se fazia muito querida. Era muito bom amigo. Foi coordenador do curso por diversas vezes. Procurou e conseguiu agregar várias pessoas. Ele era muito importante para a Psicologia”.

 

Celso Manço em companhia de docentes

Coordenadora do Departamento de Apoio Pedagógico, Psicológico e Social (DPS) da UNISANTOS, a professora mestre Tânia Maria Corrêa Estevaletto Macedo disse que é muito grata ao professor Celso e à sua família pela oportunidade dos 45 anos de convivência. Ela destacou a importância do seu legado. “O professor Celso Manço trouxe para a Universidade Católica de Santos e para a cidade de Santos as referências da Psicologia e, em especial, da Psicologia Organizacional e do Trabalho. Sempre valorizou o trabalhador com suas histórias de vida, sonhos e anseios, situando sua trajetória no contexto político e histórico do País. No meu processo de aprendizagem, orientou-me para olhar o ser humano com respeito, ética, responsabilidade e cuidado. Era um professor, mestre e amigo”.

 

Celso Manço durante a 46ª Semana de Psicologia

AMOR AO PRÓXIMO – De ex-aluno a colega de profissão e docência, o professor doutor Hélio Alves disse que Celso Manço, além de excelente professor, era um exemplo de ser humano coerente, humanista, que aliava o seu conhecimento ao tenaz trabalho em torno da teoria aliada à preocupação com a justiça, igualdade social e compaixão. “Testemunhei essas posturas tendo a felicidade de tê-lo como meu professor e depois como colega na Universidade Católica de Santos, em que exercia escuta sábia, afetiva e fazia que cada aluno e colega se sentisse particularmente importante. Lutou, na época, como chefe do departamento de Psicologia, para construir um curso de excelência. Valente, firme e docemente amoroso com as pessoas, de forma geral, e com o compromisso com a nossa Universidade, ficará para sempre na nossa memória como o professor generoso, corajoso, que, em períodos difíceis da nossa nação, lutou e conseguiu ser para todos um exemplo de ser humano ético, de extrema lisura. Quem teve o privilégio de conhecê-lo, poderia afirmar que perseguia, na sua busca por justiça, a difícil evolução que se traduz no amar ao próximo como a si mesmo”.

 

Momentos de confraternização entre os docentes

REFERÊNCIA – Coordenadora do Programa de Mestrado Profissional em Psicologia, Desenvolvimento e Políticas Públicas, a professora doutora Maria Izabel Calil Stamato disse que o professor Celso foi um profissional extremamente significativo para a psicologia, de um modo geral e especialmente para a Região Metropolitana da Baixada Santista. Lembrou que sua área de atuação era a Psicologia Organizacional e do Trabalho, mas que a sua preocupação e o foco do trabalho era o trabalhador. Ele foi fundamental para dar uma direção ao curso de Psicologia, sempre preocupado em colocar a psicologia a serviço da sociedade. Caracterizou o curso com uma visão humanista, generalista, que preparasse os futuros profissionais para atuar nas diferentes áreas da psicologia. Sempre incentivou e valorizou a autonomia intelectual dos jovens. Era meu amigo, com quem trocava muitas ideias, com quem eu tinha um intenso envolvimento profissional, intelectual e político. Foi uma figura ímpar, um profissional íntegro, dedicado aos alunos, à universidade, às causas sociais e políticas. Uma pessoa que marcou a história da psicologia na nossa região e de um modo geral. Ele foi uma liderança do Partido Comunista Brasileiro. Teve uma expressão política muito forte na nossa região até o momento do seu falecimento”.

 

Diretora do Centro de Ciências Sociais Aplicadas e Saúde da UNISANTOS, a professora mestre Flávia Henriques contou que Celso Manço foi seu professor na primeira turma do curso de Psicologia da UNISANTOS. Mais tarde, tornaram-se colegas de profissão e de colegiado. Ela lembrou do humanismo, característica própria, e pela amizade que mantinha com todos, com muita generosidade. Citou ainda a sua contribuição para o curso e que esbanja sabedoria e vivência profissional.

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