CONSCIENTIZAÇÃO – Mesa-redonda  aborda desafios e O protagonismo feminino na gestão hídrica da Baixada Santista

Flávia Maria Gonçalves, Márcia Jovito, Adriana Florentino de Souza e  Francisca Eliene da Silva

A ausência de moradias dignas e a sua relação com o saneamento básico e o acesso à água potável, os obstáculos para expansão do saneamento em áreas vulneráveis e a importância do engajamento acadêmico com os desafios da região. Estes foram alguns pontos destacados durante a mesa-redonda “Água e Gênero: Saneamento na Baixada Santista”, realizado na UNISANTOS, no último dia 31.

Com o objetivo em ampliar o acesso à informação sobre o saneamento básico na região, bem como destacar o empoderamento feminino na gestão dos recursos hídricos, o evento reuniu a fundadora da Associação Comunitária Flor do México, Francisca Eliene da Silva; a promotora de Justiça e integrante do Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (GAEMA) – Núcleo Baixada Santista, Flávia Maria Gonçalves; e a diretora do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas (Ipeci) da UNISANTOS, professora doutora Adriana Florentino de Souza. A mediação foi realizada coordenadora técnica da OSC Concidadania, bióloga Márcia Jovito.

Moradora da comunidade México 70, em São Vicente, Francisca Eliene da Silva trouxe à discussão a realidade local, evidenciando a precariedade das condições de moradia e sua relação direta com a ausência de saneamento básico, acesso à água de qualidade e a degradação ambiental. Segundo ela, a parceria com a Universidade, por meio de atividades de extensão e pesquisa na comunidade, desempenha um papel essencial na conscientização dos moradores, o que contribui para que as situações de vulnerabilidade não sejam naturalizadas. “Se não fossem os pesquisadores, biólogos e estudantes envolvidos nos cursos de extensão, não teríamos esse conhecimento para compartilhar com a comunidade”, afirmou.

 

ODS – A promotora de Justiça Flávia Maria Gonçalves destacou a relevância estratégica do saneamento básico, citando um estudo da ONU: “Para cada dólar em saneamento, economizo quatro em saúde pública”. Ela enfatizou que além do tema ser um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS 6), também está relacionado com outros objetivos, como saúde e bem-estar; cidades sustentáveis; clima e oceanos; e redução das desigualdades.

Apesar de Santos e Praia Grande apresentarem bons índices no ranking de saneamento básico, Flávia alertou para desafios importantes, como a segurança hídrica e as perdas na distribuição de água. Segundo ela, a Baixada Santista recebe cerca de 3,3 milhões de pessoas durante a alta temporada e aproximadamente 20% das ligações de água na região atualmente são clandestinas.

 

EMPODERAMENTO – “O nosso estudante precisa se envolver com a comunidade”, declarou a professora doutora Adriana Florentino de Souza ao falar sobre a importância do engajamento acadêmico com os desafios da região. Ela também pontuou o crescimento de pesquisadoras ao longo do tempo, mas que o crescimento não se deu em todas as áreas, como na sua área de atuação, a Química.

Segundo a pesquisadora, o conhecimento tem um papel transformador, especialmente em um País onde a diferença salarial entre trabalhadores com ensino médio e superior pode chegar ao dobro. Primeira pessoa de sua família a concluir o ensino superior, ela relembrou, emocionada, o apoio dos pais ao longo de sua trajetória. “Eu sou paga para fazer o que eu amo. Eu amo trabalhar com educação, amo trabalhar com ciência. Eu só cheguei aqui porque tive muito apoio. Vamos apoiar nossas crianças, nossos jovens. É pelo amor que a gente constrói”, afirmou.

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