

Mais de 100 docentes das escolas católicas da região participaram do Encontro de Formação da Campanha da Fraternidade (CF 2026), promovido pela Associação Nacional das Escolas Católicas – Anec Baixada Santista, no sábado (21), na UNISANTOS. Com o objetivo de apresentar ferramentas para desenvolver o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), foram realizadas oficinas de Maquete, Fotografia, Vídeo e Podcast.
Durante a abertura do evento, o reitor da UNISANTOS, o professor doutor Cléber Ferrão Corrêa destacou a importância da CF2026 para despertar a atenção sobre os problemas de moradia da região, das ocupações irregulares e da necessidade de união para minimizar o déficit habitacional. A coordenadora diocesana da Campanha da Fraternidade, Helenice de Queiroz Vizaco, destacou a importância da formação de pessoas sensíveis e humanas, capazes de olhar atentamente para as necessidades do próximo.


Vice-diretor do Liceu Santista, o professor doutor Sérgio Nogueira Júnior fez uma performance, representando a imagem do cartaz da CF2026. Ele representou a escultura “Cristo sem teto”, criada pelo artista católico canadense, Timothy Schmalz, após observar um homem em situação de rua dormindo em um banco de parque, em Toronto.
Após a apresentação, Sérgio Nogueira disse que durante o tempo que permaneceu pode ouvir os comentários de alguns, mas estranhou a inércia ao fato. Lembrou a todos que estamos no espaço educacional e, por isso, é preciso reforçar o valor do acolhimento e do respeito ao estudante, lembrando que “as instituições são casas de dignidade”.


OFICINAS – Participaram das oficinas, professores de educação infantil, ensinos fundamental e médio do Liceu Santista, do Colégio Passionista Santa Maria, do Marista Escola Social Lar Feliz, do Colégio Stella Maris e da UNISANTOS.
Durante a oficina de Podcast, realizada pelo professor mestre Eduardo Cavalcanti, a professora Claudia Pirolo participou do Habitacast, programa que discutiu temas como a percepção de diferentes realidades habitacionais, pelos alunos de várias faixas etárias, e a origem das favelas.
Claudia Pirolo, que é professora de Língua Portuguesa no Colégio Passionista Santa Maria, nos anos finais, e atua na direção de uma escola estadual na Praia Grande, comentou sobre as diversas realidades que vivencia concomitantemente nas duas instituições onde leciona. Ela contou que já havia utilizado podcasts como ferramenta em sala de aula, mas ressaltou que “a experiência de colocar em prática foi incrível”.
Para a educadora, o uso de tecnologias torna as aulas mais dinâmicas e desperta entusiasmo nos estudantes. Ao participar da oficina, saiu inspirada com diversas ideias. Entre elas, a proposta de incentivar os alunos a produzirem conteúdo a partir do que observam pela janela, promovendo reflexões sobre moradia e sociedade.


Coordenadora pedagógica, do 1º ao 5º ano, do Liceu Santista, Adriane Amore Santana disse que as oficinas representaram a experiência mais ativa, até o momento, do Encontro de Formação da Campanha da Fraternidade, que teve início em 2017. Ela sugeriu que no próximo ano, a partir da escolha de uma oficina, o professor possa vir munido de informações prévias, o que facilitaria para o pleno desenvolvimento da atividade.
Adriane Amore, que participou da oficina de Fotografia, também destacou que, com a experiência, o projeto Cidadania, realizado pela escola na região de palafitas de Santos, ganhará uma nova dimensão, pois, a partir da oficina, percebeu que é possível utilizar a fotografia e o vídeo durante as visitas, o que permitirá um olhar diferenciado para promover a reflexão em sala de aula.
Do Colégio Stella Maris, Daniela Mateus da Costa disse que o encontro de 2026 foi mais dinâmico, produtivo. “Sempre gostei de fotografia e na escola a gente faz muito registro”, contou a docente que decidiu se posicionar no canteiro central da Avenida Conselheiro Nébias , em frente à Universidade, para fotografar uma pessoa em situação de rua deitada nos bancos de um abrigo de ônibus, ao lado de uma pessoa sentada e indiferente à realidade.


REALIDADE – Professora de Educação Infantil do Marista Escola Social Lar Feliz, Bianca dos Santos Alves participou da oficina de Maquetes que teve o objetivo de buscar um olhar sobre a região, na perspectiva do tema da CF 2026, a partir da criação de miniaturas usando papel holler, papel color plus preto e papel kraft.
A partir da própria vivência, ela construiu uma maquete que representava uma família separada por conta de uma enchente, sendo que pai e filho ficaram abrigados em uma Igreja à espera do Corpo de Bombeiros. “Gostei muito dessa proposta. Dá para aplicar em sala de aula. Valeu muito a pena, foi bem diferente das edições anteriores. Dessa vez, foi possível interagir mais com as pessoas”, disse.
Docente no ensino fundamental do Liceu Santista há 22 anos, Angélica Arata participou da oficina de Vídeo e disse que a experiência foi muito impactante, porque existiam detalhes que ela desconhecia completamente, e que transmitem informações na elaboração de um vídeo.
A professora Andréia Leocádio, que está há 18 anos no Liceu Santista, também integrou o grupo do qual fez parte a professora Angélica, disse que o vídeo buscou retratar o que a imagem da campanha retratava. Por isso, eles buscaram um espaço com banco para mostrar uma pessoa em situação de rua, além de usar outros espaços da Universidade para a captação de imagens. “Dessa vez, conseguimos participar ativamente. Além da teoria, tivemos a prática”, contou.

















