RESPEITO NA PRÁTICA – Mesa-redonda na UNISANTOS discute o papel da informação, do acolhimento e da ação integrada no enfrentamento da violência contra a mulher

Adriana Moraes, Juliana Buck, Tatiana Riesco e Isabela Wippich

A necessidade do fortalecimento e ampliação da rede de apoio de proteção da mulher esteve no centro das discussões da mesa-redonda  “Respeito na Prática: Caminhos para enfrentar a violência contra a mulher” Com um olhar multissetorial, o encontro destacou a importância da informação e da conscientização para transformar a realidade atual. O evento, ocorrido ontem (19), faz parte do conjunto de ações, que teve início com o  vídeo  “Respeito não é discurso, é prática. Junte-se a nós nessa campanha”, lançado no  dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, em uma parceria entre a UNISANTOS e suas representações estudantis.

 

Estudantes e docentes lotaram o auditório no Campus Dom Idílio José Soares

Compuseram a mesa, a professora mestre, enfermeira Adriana Silva de Moraes, especialista em Enfermagem Obstétrica, mestre em Saúde e Meio Ambiente e doutoranda em Saúde Coletiva da UNISANTOS;  a professora doutora Juliana Buck, delegada de Polícia do Estado de São Paulo, mestre em Direito Ambiental e doutora em Direito Ambiental Internacional; e advogada Tatiana Riesco, da área de Família e Violência Doméstica, presidente da comissão de enfrentamento à violência  doméstica e fundadora da primeira Organização da Sociedade Civil, cadastrada junto à Vara Especializada de Violência Doméstica de Santos. A mediação foi realizada pela professora mestre Isabela Wippich Jorge, docente do curso de Psicologia e gerente de Marketing da UNISANTOS.

 

Adriana de Moraes

SAÚDE MENTAL – A professora Adriana de Moraes identificou a rotatividade de profissionais e a patologização do agressor como fatores de preocupação na área da saúde. Segundo ela, a alta rotatividade prejudica o domínio dos protocolos de atendimento de urgência e, consequentemente, o cuidado oferecido às mulheres. Adriana acredita que a sociedade está doente e que a saúde mental é negligenciada no País. Assim, a patologização do agressor surge como o “reflexo da sociedade em buscar uma justificativa do que ela não consegue trabalhar”.

Ela também criticou a formação dos profissionais de saúde, que está centrada na doença física. Com isso, sinais de sofrimento psíquico acabam sendo negligenciados, sendo um “grito de ajuda silencioso”. Esses sintomas, por não configurarem ainda uma doença de fato, passam despercebidos, evidenciando a falta de uma formação voltada à prevenção. Nesse contexto, ressaltou a importância da “Estratégia Saúde da Família”, que, por acompanhar famílias de forma contínua em territórios definidos, facilita a identificação de situações de violência.

Para Adriana, a violência contra a mulher está ligada à construção social de que a mulher deve ser forte e suportar a dor, o que dificulta a busca por ajuda e contribui para atendimentos inadequados. “Parte dessa violência é o retrato do quanto a nossa sociedade e o profissional da saúde entendem que a mulher é forte, que pode sentir dor. Fomos nos acostumando. A nossa cultura foi nos ensinando a sermos fortes. E quem é forte não precisa de ajuda”, afirmou.

 

Tatiana Riesco

REDES DE APOIO – A advogada Tatiana Riesco abordou, de forma didática, histórias fictícias baseadas em situações reais, evidenciando diferentes estágios de percepção da violência doméstica e a importância do acolhimento sem julgamento, mas com aconselhamento. Ela destacou o papel das redes de apoio e das organizações da sociedade civil, especialmente na promoção da justiça restaurativa em relações continuadas.

Como presidente da Comissão de Enfrentamento à Violência Doméstica da OAB Santos, Tatiana alertou para a necessidade de atenção à violência dentro dos condomínios, especialmente em uma das cidades mais verticalizadas do país. Nesse sentido, destacou o projeto “Condomínio sem violência”, que orienta moradores, funcionários e síndicos sobre como identificar e agir diante de casos.

 

Juliana Buck

CAPACITAÇÃO – A professora Juliana Buck enfatizou a necessidade de ampliar o acesso à informação, tanto para orientar vítimas quanto para conscientizar os homens sobre as mudanças nos papéis sociais das mulheres. “Não admitir e nem normalizar comportamentos violentos é um passo essencial”, afirmou.

Ela também destacou avanços legais, como a transformação da ameaça no contexto da Lei Maria da Penha em ação penal incondicionada, ou seja, que não necessita da iniciativa da vítima para início da ação penal, portanto, permitindo maior atuação do Estado e da sociedade na denúncia dos agressores.

Ainda assim, ela ressaltou que a lei, por si só, não resolve o problema, sendo fundamental uma rede de atendimento integrada e multidisciplinar, além da capacitação dos profissionais para uma escuta ativa. “Com a empatia em ouvir a história do outro é que muitas vezes conseguimos fazer um contexto daquela violência. Isso é tão importante que a própria academia de polícia vem fazendo trabalhos de capacitação para atendimentos nas Delegacias de Defesa da Mulher”

 

CAMPANHA – Para acessar o vídeo de lançamento do “Manifesto em Defesa das Mulheres”, clique AQUI.

 

 

 

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