PÓS EM EDUCAÇÃO – Mesa-redonda reúne mestres e doutoras formadas pela UNISANTOS para debater os desafios da rede pública de ensino

Eline Sampaio, Roberto Rabelo, Silvia Quaranta e Rejane Emilio

“Egressos Atuantes em Redes Públicas de Ensino” foi o tema da mesa-redonda que reuniu mestres e doutoras formadas pelo Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação. O evento, no dia 28 de maio, integrou a programação da XX Mostra de Pesquisa em Educação: Educação e Pesquisa em Tempos de Defesa da Democracia.

Com o objetivo de discutir os desafios e perspectivas das redes públicas da educação básica na Região Metropolitana da Baixada Santista, participaram da mesa de discussões a professora mestre Eline Lira Oliveira Sampaio, e as professoras doutoras Silvia Cinelli Quaranta e Rejane Maria Emilio.

Eline Sampaio tornou-se mestre em Educação pela UNISANTOS no ano passado. Ela atua como professora nos anos iniciais do ensino fundamental na rede municipal de Santos. Durante sua fala, destacou que somente com a promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em 1990, crianças e adolescentes passaram a ser oficialmente reconhecidos como sujeitos de direitos, deixando de ser tratados como “menores” ou considerados “menos importantes”. Para ela, esse reconhecimento deve se refletir no cotidiano escolar, garantindo que as crianças sejam consideradas em sua própria realidade. “Quando a criança chega na sala de aula, ela chega com a sua história. Como é que eu, professora, posso ignorar a leitura de mundo e a realidade concreta dessa criança?”, afirmou.

Eline destacou a importância de Freire na alfabetização

Integrante da Cátedra Paulo Freire da UNISANTOS, Eline Sampaio apresentou a metodologia e os resultados de sua pesquisa de mestrado intitulada “Contribuições do pensamento de Paulo Freire à alfabetização de crianças em vulnerabilidade social”. Segundo ela, o estudo demonstra como práticas pedagógicas inspiradas em Paulo Freire podem transformar a alfabetização, valorizando a experiência e o pensamento das crianças. “A criança na perspectiva da alfabetização crítica é valorizada, ouvida e seus pensamentos são considerados na produção do conhecimento”, declarou.

Silvia falou sobre a realidade da escola pública e da rede particular

Mestre (2015) e doutora (2024) em Educação pela instituição, Silvia Quaranta compartilhou sua trajetória profissional, estabelecendo comparações entre as realidades das redes privada e pública de ensino. Ela ressaltou os desafios enfrentados no sistema público, especialmente a burocracia e a importância de profissionais verdadeiramente comprometidos com o desenvolvimento dos alunos. “Tem muita gente que faz isso e aquilo para passar em concurso. Na hora que passa, o que faz? Vira funcionário público de carreira, burocrata, que dá aula sentado e não tem comprometimento”.

Silvia também chamou atenção para a desigualdade nos investimentos destinados à educação, uma vez que universidades públicas frequentemente recebem mais recursos do que a educação básica. “O olhar das pessoas se volta muito para a universidade. E na realidade, quando a gente chega à universidade, já estamos formados”, disse.

Rejane focou nas políticas públicas

Já Rejane Emilio, mestre (2008) e doutora (2020) em Educação pela UNISANTOS, afirmou que a educação é uma caminhada contínua, um processo histórico e social em permanente construção. Em sua trajetória de pesquisa, ela tem se dedicado a analisar os impactos das políticas públicas na área educacional.

Ela defendeu a importância da participação ativa dos profissionais da educação em espaços de decisão, como conselhos e instâncias de controle social, como forma de fiscalização e garantia de direitos. Para ela, esse envolvimento é fundamental para fortalecer uma democracia mais participativa, na qual educadores atuem como coprodutores das políticas públicas, “vivenciando os espaços de decisão”.

Coordenador do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação, o professor doutor Roberto Araújo da Silva Vasques Rabelo, mediou o debate.

 

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