


Ao longo de 2026, estudantes do ensino médio das escolas parceiras da UNISANTOS se dedicaram à pesquisa científica, desenvolveram projetos e descobriram novos caminhos para o futuro. Os resultados desse processo foram apresentados durante a XVI Jornada de Iniciação Científica do Ensino Médio, no dia 26, realizada durante a XVI Semana de Ciência, Tecnologia & Inovação.
Além de ampliar os conhecimentos acadêmicos, a experiência proporcionou o desenvolvimento de soft skills, despertou novos interesses profissionais e estimulou o pensamento crítico, a consciência ambiental e a capacidade de superar desafios.


“Práticas organizacionais vinculadas aos preceitos do ESG e à Agenda 2030 (ODS 9, 12 e 13) – Um estudo da Vivo” foi o trabalho apresentado pelo estudante Arthur Gonçalves dos Santos, da Escola Estadual Dr. Reynaldo Kuntz Bush, de Praia Grande. Orientado pela professora doutora Zahra Adnan Kabbara de Queiroz, ele destacou que a experiência de realizar uma pesquisa científica contribuiu para sua evolução pessoal, especialmente em relação à sustentabilidade e à tomada de decisões mais conscientes. Além dos conhecimentos adquiridos, Arthur ressaltou a importância da amizade ao longo da jornada, com os colegas incentivando e “impulsionando” uns aos outros.
Já a estudante Heloísa Peixinho Pestana Dias, da Escola Municipal 1º de Maio, de Guarujá, encantou-se em colocar a “mão na massa”, analisando componentes e desenvolvendo seu próprio hidratante. “Todos os dias a gente vê um produto na farmácia, quer comprar um hidratante ou um creme para passar no corpo e a gente não sabe como é o processo [de fabricação]. Foi muito legal, pois eu aprendi como é que se faz. Pesquisei bastante sobre ativos e como selecioná-los também”, relatou. Autora do trabalho “Cosmetologia Experimental: Investigação e Criação de Produtos Cosméticos”, orientado pelo professor mestre Claudio Alves Vieira, ela contou que a experiência despertou o desejo de seguir na área de pesquisa em Farmácia.


CRÍTICA CONSCIENTE – Para o estudante João Vittor Alcântara Abedala, da ETEC Aristóteles Ferreira, a pesquisa foi uma oportunidade de ampliar a percepção sobre a sociedade. Com o trabalho “Computação Crítica Consciente – Computação, Equidade e Justiça Social”, desenvolvido sob orientação do professor doutor Thiago Ferauche, o estudante aprofundou seu pensamento crítico e passou a identificar questões sociais que antes passavam despercebidas por ele. “Com esse projeto, eu acho que aumento minha capacidade de olhar para a sociedade e identificar coisas que normalmente as pessoas não associam”, afirmou.
Anna Clara Souza da Cruz, do Senac Santos, também investigou a poluição nas praias, mas direcionou seu estudo à influência da hidrodinâmica no transporte de resíduos descartados irregularmente nos manguezais. No trabalho “Índice de Costa Limpa como Indicador de Poluição em Praias Urbanas: Estudo de Caso na Praia do Gonzaga (Santos, SP)”, orientado pelo professor doutor Luis Felipe de Almeida Duarte, ela analisou a distribuição do lixo na praia e questionou a ideia de que os turistas seriam os principais responsáveis pelos resíduos encontrados. A pesquisa também despertou reflexões sobre as desigualdades sociais e a invisibilidade dos manguezais, frequentemente marginalizados e tratados como locais de descarte.


O estudo de materiais sustentáveis motivou a estudante Letícia Oliveira Santana, da ETEC Drª Ruth Cardoso, de São Vicente. Com o trabalho “Estudo da Síntese de Bioplásticos de Rápida Decomposição Utilizando Matérias-Primas e Resíduos Vegetais Diversos, Associados a Outros Materiais Residuais Formando Biocompósitos”, ela buscou alternativas às luvas hospitalares, amplamente utilizadas e descartadas. A pesquisa proporcionou maior contato com o ambiente laboratorial e contribuiu para que Letícia tivesse mais certeza sobre a carreira que deseja seguir. Orientada pelo professor doutor Marco Antônio Cismeiro Bumba, Letícia contou que precisou superar adversidades durante os experimentos, incorporando elementos antifúngicos à mistura para preservar os materiais desenvolvidos.
Para a estudante Luiza Barbosa Eleutério, do Liceu Santista, os conhecimentos adquiridos durante a pesquisa serão úteis em diferentes etapas de sua formação. “Com certeza, a pesquisa vai me auxiliar para sempre, em qualquer projeto que eu fizer a partir daqui. Aprendi a lidar com as fontes, a metodologia, a aplicar e escrever isso no meu projeto também”, contou. Orientada pelo professor mestre Ricardo Augusto de Mello Granata, ela desenvolveu uma maquete do MASP e o trabalho “Modelos Estruturais: Física Mecânica Aplicada aos Elementos Estruturais da Edificação”, no qual aprofundou seus conhecimentos sobre maquetes e arquitetura, área em que pretende atuar profissionalmente.


MEIO AMBIENTE – A preocupação com o meio ambiente ganhou novos significados para a estudante Melody Alves da Silva, da Escola Estadual Prefeito Domingos de Souza, em Guarujá. Em sua pesquisa, “Aplicação do Índice de Costa Limpa (CCI) como Ferramenta de Diagnóstico para a Qualidade Ambiental da Praia do José Menino (Santos, SP)”, ela investigou a presença de resíduos na faixa de areia e desenvolveu um olhar mais atento para a poluição nas praias. Durante as coletas, a estudante lembrou que ficou abalada ao perceber a quantidade de lixo encontrada. Orientada pelo professor doutor Luis Felipe de Almeida Duarte, Melody também descobriu uma nova possibilidade profissional: a Oceanografia. “Eu nunca tinha ouvido falar sobre [a área], e, por conta da pesquisa, comecei a me interessar muito pela área ambiental. Acabei gostando muito e agora é uma vontade fazer Oceanografia”, relatou.
Conhecer melhor a própria cidade foi um dos principais aprendizados da estudante Maria de Lourdes Di Giacomo Abrantes, da ETEC Aristóteles Ferreira. Em sua pesquisa, “Prédios Inclinados: Há Solução Fácil?”, orientada pelo professor doutor Juarez Ramos da Silva, ela investigou a inclinação dos edifícios de Santos e os desafios relacionados às fundações de construções erguidas, especialmente, nas décadas de 1950 e 1960. “Entender a cidade onde eu estou, onde cresci e nasci, foi muito interessante”, afirmou. Entre os aspectos estudados, ela chamou a atenção para o reaprumo, técnica utilizada para corrigir a inclinação de edifícios, que embora seja uma alternativa de intervenção, o procedimento envolve custos elevados, o que torna sua aplicação um desafio.





