
No comando de um submarino atômico, o almirante Nelson (Walter Pidgeon) e a sua tripulação, no filme “Viagem ao fundo do Mar” (1961), talvez não imaginassem que seriam inspiração para um garoto, aos 9 anos, decidir, em 1973, que seria um cientista. O caminho foi árduo, mas, após muitos desafios, ele se tornou um pesquisador docente e exemplo de superação para muitos estudantes. Sério e ao mesmo tempo irreverente, o professor doutor Luiz Carlos Moreira, “o chefe”, transformou o Laboratório de Projetos de Circuitos Integrados Analógicos e Digitais em um espaço de formação de jovens pesquisadores e docentes.
Nascido no dia 24 de dezembro de 1964, primeira véspera de Natal sob o regime da ditadura militar, Luiz Moreira viveu uma infância com muitas incertezas, residindo em diferentes cidades do interior até chegar em Santos, aos 12 anos de idade. Mesmo depois de interromper os estudos em alguns períodos e trabalhar como lavador de carro, ajudante de carga e descarga de caminhão e ajudante de cozinha, ele não deixou de lutar pelo sonho de se tornar um cientista. “Qualquer intervalo no trabalho, ficava estudando, pois o tempo era precioso. Às vezes trabalhava à noite e ia direto para a escola na manhã seguinte”, explica o professor, que chegou a trabalhar em turnos diferentes para conseguir estudar.

RESISTÊNCIA – Com o trabalho na aciaria da antiga Cosipa, atual Usiminas, em Cubatão, transformava o ferro gusa liquido em aço. Talvez a resistência desse aço tenha moldado a coragem de Luiz Moreira que buscou em um curso técnico em eletrônica a possibilidade da investigação científica. “Foi aí que teve início todo o meu conhecimento em eletrônica, mas eu queria mesmo ser astrofísico. Nessa época comprei um livro do Einstein. Gostava dos assuntos sobre tempo e espaço”, diz.
Apesar das adversidades, Moreira reconhece que pôde contar com algumas pessoas que o incentivaram a seguir em frente com os estudos. Ele lembra que foi um ‘chefe espanhol’ que o motivou a ingressar no ensino superior, pois acreditava estar “velho” para estudar.
Aos 25 anos, em 1989, ele começou a cursar Engenharia Eletrônica e não parou mais. Em 1996, tornou-se mestre e, em 2001, doutor em Microeletrônica pela Escola Politécnica da USP. Focado nos estudos e descobertas na área, o professor Luiz Moreira já realizou seis atividades de pós-doutoramento no Brasil, Canadá e México.
O sonho do menino tornou-se realidade. Luiz Moreira tornou-se um cientista e também foi “fisgado” pela docência, sendo referência para os jovens que desejam conhecer, estudar e investigar cientificamente a área da microeletrônica. Em menos de 10 anos, ele já incentivou e contribui para a formação de mais de 10 jovens, no mestrado e doutorado. Alguns deles, também foram atraídos para a docência e atualmente integram o quadro de professores da UNISANTOS.

NOVAS GERAÇÕES – Egresso do curso de Ciência da Computação da UNISANTOS (2015), Guilherme Apolinário Silva Novaes explica que depois de fazer um estágio no laboratório coordenado pelo professor Luiz Moreira, foi convidado por ele para fazer iniciação científica. Aos 19 anos, não imaginava que a pesquisa iria despertar tanto a sua atenção.
Inspirado pelo mestre, realizou dois projetos e seguiu com os estudos, no mestrado e no doutorado em Engenharia Elétrica na USP. “No início, quando fui incentivado em 2013 pelo “chefe”, achei que não seria possível. Mas, depois de ouvir a sua história, pensei: “não posso ser preguiçoso. Qualquer desculpa, estaria ofendendo a história desse professor”, diz o jovem que desde 2021 é docente e pesquisador da UNISANTOS.


Também egresso do curso de Ciência da Computação da UNISANTOS (2021), Vitor Oliveira Kuribara é mais um exemplo do trabalho de formação do professor Luiz Moreira. Durante a graduação, ele fez iniciação científica e estágio no Laboratório de Projetos e Circuitos Integrados Analógicos e Digitais. No último semestre do curso, iniciou no programa de mestrado do ITA e desenvolveu o seu projeto com a coorientação do professor Luiz Carlos Moreira. Em 2023, foi contrato pela UNISANTOS como docente e pesquisador do curso de Ciência da Computação.
A história de Walter Silva Oliveira teve início no ensino médio, quando decidiu participar, em 2017, do programa de iniciação científica voltada para os estudantes das escolas públicas e particulares da região. Foi nesse momento que conheceu o professor Moreira e ficou inspirado com a sua história, afinal também fez curso técnico em eletrônica.
Mesmo cursando graduação em Ciência e Tecnologia na Universidade Federal do ABC, ele não deixou de frequentar o Laboratório de Projetos e Circuitos Integrados Analógicos e Digitais e buscar orientações com o professor Luiz Moreira. O exemplo também foi seguido e ele fez o mestrado em Engenharia Eletrônica e Computação, no ITA, e cursa o doutorado em Engenharia da Informação, na Universidade Federal do ABC. Em 2024, ingressou como docente e pesquisador da UNISANTOS.





