
Coordenadora geral de Incorporação Científica e Imunização do Ministério da Saúde, Ana Catarina de Melo Araújo participou do I Fórum Regional de Imunização da UNISANTOS, realizado no último dia 2. Durante a sua apresentação, ela ressaltou que a queda da cobertura vacinal é resultado de múltiplos fatores que vão desde episódios pontuais como disseminação de fake news até dificuldade de acesso e percepção de risco.
Promovido pelo Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Saúde Coletiva e organizado pela professora doutora Lourdes Conceição Martins, teve o objetivo de reunir gestores, profissionais de saúde, pesquisadores e representantes institucionais para discutir os desafios e as estratégias de fortalecimento da cobertura vacinal na Região Metropolitana da Baixada Santista.
Doutora em Enfermagem e mestre em avaliação em saúde, Ana Catarina evidenciou a necessidade do microplanejamento na região, que envolve o desenvolvimento de uma estratégia “de baixo para cima”, fundamentada na análise das especificidades de cada território. Dessa forma, cada município poderia definir estratégias adequadas à sua realidade local, buscando uma maior efetividade das ações. Ela citou o caso de Pernambuco, onde as UBS tendem a funcionar pela manhã e no final da tarde, a fim de evitar os períodos de calor excessivo.

CIRCULAÇÃO DA DOENÇA – Ana Catarina também ressaltou que a população alvo não se restringe aos residentes, incluindo pessoas que circulam pela região, grupos vulneráveis e aquelas que mantêm vínculos com o território mesmo à distância. Segundo ela, é necessário garantir uma ampla cobertura vacinal para reduzir a circulação da doença e evitar o surgimento de casos secundários. “Temos uma falsa ideia de que colocar a vacinação nas barreiras vai resolver, mas não vai. As pessoas transitam. Nós precisamos manter os nossos vacinados”, afirmou.
Entre os obstáculos relacionados ao acesso, a coordenadora destacou a limitação dos horários de funcionamento das unidades de saúde, que nem sempre acompanham as mudanças na rotina das famílias. “Quando você tem os dois responsáveis no mercado de trabalho e a unidade básica de saúde funciona num horário que funcionava vinte anos atrás, isso de fato impacta para que as pessoas procurem o serviço”, disse.





