

Com a participação de mais de 70 empresários, representantes de organizações e instituições de diferentes segmentos, pesquisadores e acadêmicos, a instituição instalou, nesta terça-feira (16), a UNISANTOS CORPORATIVA. Trata-se de um programa que visa contribuir para a formação e qualificação profissional de quem está no mercado de trabalho e, consequentemente, com o desenvolvimento econômico e social da região, do Estado e do País.
Para marcar essa nova atuação da UNISANTOS, foi realizada a mesa-redonda “Profissional do Futuro: empresas e universidade como espaços formadores”, com a participação da diretora de Recursos Humanos do Grupo Bandeirantes de Comunicação, Juliene Salvan; do professor Carlos Augusto Costa da Silva, mestre em Gestão de Negócios; e da pró-reitora de graduação, professora mestre Rita de Cássia Zaher Rosa Paul, mediadora do debate e idealizadora da UNISANTOS CORPORATIVA.


Reitor da UNISANTOS, o professor doutor Cleber Ferrão Corrêa deu as boas-vindas aos participantes e ressaltou o protagonismo da instituição e a sua contribuição para o desenvolvimento da região. “As empresas que investem em inovação e desenvolvimento humano estão mais preparadas para enfrentar desafios. É neste contexto que ganha relevância a aproximação entre a universidade e as empresas. Quando esses dois ambientes atuam de forma integrada, cria-se uma poderosa rede de geração de valor. A UNISANTOS CORPORATIVA nasce com o propósito de ser uma plataforma estratégica de desenvolvimento para empresas, instituições e profissionais. Um ambiente capaz de conectar conhecimento acadêmico, prática empresarial e inovação, oferecendo soluções educacionais, alinhadas às necessidades do mercado e às demandas específicas das organizações”, destacou.
Para a diretora de Recursos Humanos, Juliene Salvan, a iniciativa da UNISANTOS é excelente. “Durante muito tempo as universidades e as empresas trabalharam de forma paralela, e hoje a gente vê essa necessidade de atuação conjunta porque a velocidade da mudança é muito grande. O que a universidade começou, as empresas precisam dar continuidade. É preciso que empresa e universidade se adaptem um pouco. É um caminho de aproximação. Esse é o futuro”, explicou.

MESA-REDONDA – Durante a mesa-redonda, Juliene enfatizou o alinhamento de expectativas, observando que, enquanto as empresas buscam resultados imediatos, muitos jovens priorizam aspectos como bem-estar, elemento que, segundo ela, por muito tempo não foi uma prioridade nas organizações. Além disso, alertou para a incoerência entre discurso e prática dentro das empresas, o que pode prejudicar a imagem institucional e desmotivar colaboradores.
Ela comparou o trabalho das universidades a um simulador de voo, no qual os estudantes são expostos a situações que se assemelham à realidade profissional. Defendeu também uma maior articulação entre instituições de ensino e empresas, uma preparando os estudantes de forma mais prática para o mercado e a outra oferecendo oportunidades de aprendizagem contínua. Segundo ela, “o empresário que não investe em desenvolvimento, investe em demissão”, sendo difícil recomeçar quando se percebe que seria possível ter feito diferente.
Para Juliene, o modelo tradicional de liderança precisa ser revisto, uma vez que o poder não está no cargo, mas sim no posicionamento e nas atitudes do líder, que deve servir de exemplo para sua equipe. Ela também destacou a importância da humildade na liderança, especialmente em um contexto de excesso e facilidade no acesso à informação, no qual o líder não precisa deter todo o conhecimento, podendo encontrar melhores soluções em conjunto com sua equipe.
PONTOS DE CONVERGÊNCIA – O professor Carlos Augusto discutiu a transformação do conceito de trabalho, apontando que as gerações Y e Z têm maior expectativa por ambientes mais saudáveis, que valorizem o bem-estar e reconheçam a contribuição individual dos colaboradores, estimulando o engajamento. No entanto, ele disse que, apesar desse desejo de mudança dos jovens, é necessário que eles compreendam as limitações do cenário atual, ainda em processo de transformação. Nesse sentido, defendeu a busca por “pontos de convergência” entre empresas e novos profissionais para a construção de um futuro bom para ambos os lados.
Para ele, as soft skills, ou habilidades comportamentais, são essenciais para a permanência no mercado de trabalho, com destaque para a empatia e a resiliência. No entanto, ele ressaltou que os ambientes de trabalho estão mudando e que resiliência não deve ser entendida como a obrigação de suportar qualquer tipo de pressão ou de se manter constantemente sob estresse.

















