PSICOLOGIA – Atuação profissional é debatida na perspectiva da saúde mental e do combate ao abuso de crianças e adolescentes

Naiara Matos, Wagner Tedesco, Igor Borysow, Renato Pavón e Márcia Cristina

O compromisso social e da ética na atuação do psicólogo, a conscientização e sensibilização, o respeito ao tempo do paciente, o cuidado para proteger o indivíduo e a importância do conhecimento de normas e legislações. Estes foram alguns dos pontos discutidos por especialistas e pesquisadores durante a mesa-redonda “Saúde Mental e Combate ao Abuso Sexual de Crianças e Adolescentes: Debate sobre a atuação da Psicologia nas políticas públicas e nas clínicas de neurodesenvolvimento”, realizada no dia 18 de maio, Dia da Luta Antimanicomial e Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

Participaram da mesa, a psicóloga e docente do curso de Psicologia da UNISANTOS, a professora doutora Naiara Roberta Vicente de Matos, o coordenador do Programa de Desenvolvimento para Inclusão Profissional de Pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (PIP TEA) da UNISANTOS, o professor mestre Wagner Tedesco; psicólogo do Centro de Referência Especializado de Assistência Social de Guarujá,  Renato Gomes Pavón, e a redutora de danos, membro do Conselho Municipal de Saúde de Santos e militante da Frente da Luta Antimanicomial,  Marcia Cristina de Oliveira.  Do curso de Psicologia, o professor doutor Igor da Costa Borysow foi o mediador do evento.

 

COMPROMISSO SOCIAL – A importância do compromisso social e da ética na atuação dos psicólogos foi destacada pela professora Naiara Roberta. Segundo ela, o acolhimento e a escuta ativa são essenciais para um tratamento digno. “Métodos não são mais importantes do que a subjetividade”, afirmou, ressaltando que a prática clínica deve ser guiada pela horizontalidade e pela atenção ao paciente. A docente alertou para os riscos de projetos terapêuticos que se distanciam do modelo humanista vigente e retornam a práticas mecanicistas que fragmentam o tratamento biopsicossocial. “Cada vez que perdemos esse senso de unidade da psicologia, corremos o risco de abandonar eticamente o sujeito que assumimos a responsabilidade de cuidar”, concluiu.

Já Wagner Tedesco apresentou as iniciativas da UNISANTOS voltadas à formação prática dos estudantes, como a Clínica de Psicologia no Jabaquara, a clínica integrada de saúde e o programa PIP-TEA. Ele explicou que o programa promove avaliação psicológica dos participantes para conhecer as habilidades e desenvolvê-las no ambiente da universidade. Ele também mencionou o subprograma Horizontes, conduzido pela professora Naiara, voltado à qualificação profissional em cafeterias, que alia capacitação técnica à geração de renda. “Nós procuramos desenvolver as habilidades dos participantes, e desenvolver isso de acordo com o que estamos buscando junto às organizações, que não é só a conscientização para a inclusão, mas também a sensibilização dos colaboradores internos e vagas possíveis para a contratação”, disse.

 

O TEMPO – Renato Pavón ressaltou que o respeito ao tempo do paciente é essencial, visto que a pressão por respostas pode causar na criança ou adolescente uma nova violência. “A verdade, para a vida jurídica, é uma coisa. Para nós, o sofrimento psíquico tem outro tempo. Às vezes a criança demora um ano para falar, porque não conseguia verbalizar o que aconteceu”. Segundo ele, a escuta deve “sustentar o insuportável, sem invadir, sem calar e sem violentar”, priorizando prudência e cuidado para proteger indivíduos que frequentemente chegam ao sistema de atendimento com direitos violados.

Por fim, Marcia Cristina de Oliveira relembrou o período em que os manicômios predominavam no tratamento da saúde mental e alertou para o risco de retrocesso, causado pela infraestrutura precária, falta de medicamentos e insuficiência de profissionais diante da alta demanda nos municípios. Ela também reforçou a importância de os psicólogos conhecerem as normas e legislações para orientar sobre os direitos de crianças e adolescentes, bem como de adotarem uma postura ativa na efetivação desses direitos. “Notifiquei. O serviço não tomou uma providência dentro de uma semana? Vou tomar outra medida, porque temos que ter compromisso com os seres humanos que estão ao nosso lado”, afirmou.

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