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Artigo
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O Centro Português de Santos e suas Possibilidades no Cenário do Turismo Cultural
Alexandre Assis1
 
Re-descobrindo uma jóia neomanuelina

Quem passa pela Rua Amador Bueno esquina com Rua Martim Afonso, na região comercial e central, da cidade de Santos, não pode deixar de observar um imponente edifício de cor creme com insinuante e exótica aparência. Seria uma igreja? Perguntaria o turista mais desavisado. Ou talvez, uma espécie de panteão onde algum herói nacional estaria sepultado? Mesmo sem querer, o passante tem seu olhar roubado para uma série de detalhes que levam a várias descobertas. Impossível deixar de notar as janelas em forma de arco, todas trabalhadas nas laterais do prédio, formando números cabalísticos também na fachada. As torres e os ornamentos da parte superior lembram uma espécie de templo religioso indiano, ou então, um castelo medieval mourisco. Esta é a sede do Centro Português de Santos, talvez guardado na memória de muitos santistas como o antigo Cine Júlio Dantas. Apesar de apresentar alguns problemas tais como a pintura descascada, torres e escudos na parte superior necessitando de reparos, a representação da esfera armilar, postada acima da inscrição “Centro Português”, parcialmente demolida, e “convivendo” com ervas daninhas, o aspecto geral do prédio apresenta-se em estado razoável.




Real Gabinete Português de Leitura, Rio de Janeiro/RJ
Fotografia: Mônica Yamagawa




Erguido em 1900, a sede do Centro Português de Santos é uma jóia arquitetônica encravada no centro da cidade e que carece de mais atenção. Seu valor patrimonial justifica a expressão “jóia”, considerando–se que faz parte de um trio de edificações em estilo neomanuelino, formado pelo Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro, inaugurado pela Princesa Isabel em 1887 e pelo Gabinete Português de Leitura de Salvador (Bahia), de 1918. Ao contrário de seus pares já preservados, não se sabe até agora qual o motivo de o Centro Português de Santos não configurar como bem tombado.



A arquitetura neomanuelina2 apresenta-se nestes três patrimônios quase que exatamente no mesmo contexto histórico. Na medida que em Portugal começou um processo de decadência, marcado pelo gradativo desmantelamento de seu império de “além-mar”, passando pelo movimento autonomista brasileiro, onde as inquietações de sua burguesia explodiram com a Revolta do Porto em 1820 e a crise se cristalizava com a hegemonia comercial da potência britânica, surgiu uma espécie de sentimento de “salvaguarda” nacional, onde ficou imperativo a todos os compatriotas que era preciso livrar o país do atraso em que se encontrava em meados do século XIX, totalmente apartado dos “progressos” do capital industrial e sua ação civilizadora moderna, disseminada pelo positivismo republicano francês.

Poetas como Alexandre Herculano e Almeida Garret despontam neste sentido como líderes simbólicos da primeira geração liberal romântica envolvendo-se na questão da “Regeneração” da pátria que agonizava. Nada melhor que resgatar os tempos de glória dos descobrimentos, quando Portugal era uma potência ultramarina capitaneada pelo rei D. Manuel I, “o Venturoso”3.
A arquitetura foi onde a presença do rei se fez mais notada com as famosas construções implementadas a seu gosto e ao de todas as partes envolvidas, Um bom exemplo são os muitos acabamentos do mosteiro dos Jerônimos em Lisboa. De certa forma ocorre uma espécie de ”Renascimento” português, incentivado com os feitos das grandes navegações e todas as influências naturais e estéticas do Oriente, contando é claro com o providencial apoio financeiro das ordens religiosas, principalmente a Ordem dos Cavaleiros de Cristo, que estampava suas cruzes nas velas das embarcações que serviam ao império lusitano em suas ”epopéias” assim como preferiria dizer Camões, ilustrando ainda a fachada frontal do Centro Português.

O neomanuelino foi simplesmente a tentativa de resgatar as glórias do passado em um tempo já muito diferente daquele período de prosperidade do Antigo Regime. Foi um esforço desesperado de uma burguesia que já na segunda metade do século XIX, ainda buscava encontrar seu espaço social e político criando novas simbologias, porém talvez justamente por isso seja um estilo tão criticado, pois foi uma transposição meio que forçada de um tempo sobre outro. Às vezes choca pelo seu excesso perdendo-se em redemoinhos barrocos, porém recria outras culturas e remete a diversas civilizações, tornando-se surpreendente. Devido à ambigüidade da burguesia portuguesa, ansiosa para tornar-se moderna, mas, com raízes no atraso de um país feudal, a arquitetura e a arte neomanuelinas ficavam muitas vezes a mercê dos impulsos desse movimento de triunfalismo nacional artificial. Segundo Vasco Graça Moura4: “Foi assim o neomanuelino, equívoco desastroso e eclético numa época de desorientação política e cultural, o emblema típico de uma decadência patriotinheira reavivadora de valores mal assimilados e mal interpretados...”5

Portugal, venturas e desventuras.

A desorganização social de Portugal no século XIX foi fruto de vários fatores, embora se deva sublinhar a invasão napoleônica do pequeno país desde 1808, com a transferência da Corte de D.João VI para o Brasil, deixando seu povo, na península, literalmente “a ver navios”. Já na fase da “regeneração” da glória portuguesa que ganhou impulso nos anos 60 do século XIX, dentro do cenário idealizado pela confusa burguesia que se apresentava, não caberia a ignorância da população. O progresso não poderia ser solidificado em um país de camponeses analfabetos. Portanto, mais uma vez a história do Centro Português de Santos se funde com a de seus irmãos gêmeos no Rio de Janeiro e na Bahia.

Formaram-se primeiramente como associações de auxílio e principalmente instrução para os imigrantes portugueses. Note-se que a vontade de educar para o progresso já existia na burguesia peninsular. Inseridos na sociedade brasileira através do sucesso obtido com o comércio e outras atividades liberais, é natural que a burguesia lusa radicada no Brasil quisesse dar sua contribuição. Percebe-se escrito o lema do Centro Português de Santos na frase que se segue junto ao escudo que divide a escada nobre: "Entre gente remota edificaram novo reino que tanto sublinharam". Importa perceber que não eram essas pessoas consideradas estrangeiras até os movimentos de nossa independência em 1822. Após a emancipação com a antiga metrópole, os portugueses tiveram muito que lutar por seu espaço social. Neste contexto valeu a pena construir o prédio da Rua Amador Bueno, que oferecia cursos de alfabetização: “Na segunda metade do século XIX há indicativos precisos da taxa de analfabetismo que rondava os 80%, segundo os censos de 1864 e de 1878".6 Santos, cidade portuária, tem dinheiro e força para construir também seu ideal civilizador imposto pela Europa. Caberia ao Centro Português instruir os recém-chegados do reino e prepará-los para viverem na nova sociedade. Não era à toa que a instituição oferecia cursos de teatro e desenvolvia uma série de atividades culturais. Recebeu o título de “Real Centro Português” por determinação do rei D. Carlos I de Portugal em 1896, dentro dos festejos do Centenário da Índia. Mais tarde, em 1945, cai o título de “Real”, dentro de uma atmosfera de animosidades e recortes nacionalistas acerca da necessidade do Centro Português manter em seus quadros, associados brasileiros. Achou-se melhor tirar o título “Real”, pois desta forma a entidade não seria mais estrangeira podendo enfim congregar brasileiros natos.

As Faces de uma Herança Portuguesa.

Considerando sua participação efetiva no contexto histórico e social de Santos do século XIX7, o Centro Português, constituí-se em importante patrimônio histórico que merece ser preservado, porém o quadro atual é desolador. Fica difícil entender porque a comunidade lusa na Baixada Santista, representada por cerca de dez entidades, tais como o próprio Consulado de Portugal ou a Sociedade de Beneficência Portuguesa, não se mobiliza para salvá-lo. O acervo da biblioteca do Centro Português está entregue aos cupins. Naquela desorganizada sala, que exala um forte cheiro de mofo, nós encontramos raridades, tais como uma edição lançada no Porto em 1907 de “Os Sermões” de Vieira, despedaçando-se no tempo. Ou ainda, “Dois anos de Férias”, de Júlio Verne, em edição da Companhia Nacional de Lisboa, de 1897, simplesmente se esfacelando. Falta a capa da revista semanal “Gazeta Jurídica”, editada no Rio de Janeiro em 1874. Na página de rosto está grafado “Império do Brasil”, em péssimo estado de conservação. Dezenas de livros de literatura, cultura, turismo, economia e história formam seu rico acervo.

O mais fascinante é a sessão “Descobrimentos”, onde o visitante, se não for alérgico ao pó, poderá deleitar-se com livros do tipo “Colóquio das Simples e Drogas e Cousas Medicinais da Índia”, (reprodução fac-similada pela Academia de Ciências de Lisboa) impressa em Goa em 10 de abril de 1563, de Garcia d’Orla, ou ainda, “Monumenta Missionária Africana - África Ocidental”, coligida pelo Padre Antônio Brásio (Agência Geral do Ultramar, Lisboa, 1963), que estão à disposição dos pesquisadores. Vestígios preciosos da expansão ultramarina portuguesa que não encontramos em lugar algum em nossa região.
São inúmeros os livros e revistas de turismo sobre a desconhecida África, publicações com mapas detalhados da Guiné-Bissau, Timor Leste, este na Ásia, ou Moçambique, bem como relatos, documentos e fontes diversas sobre a Guerra de Libertação de Angola etc. Bem que o local poderia ser um pólo de intercâmbio cultural entre os países de língua portuguesa. O Centro Português recebe inclusive muitos jornais portugueses que trazem matérias de suas ex-colônias. Pouco disto está sendo arquivado devidamente. Estaria ali a possibilidade de conexão cultural com a África e Oriente?

Talvez não do jeito que está. Quando o visitante chega no Centro Português é atendido pelo zelador da casa, pois, não há funcionários suficientes para tal tarefa. Comemorando 108 anos de sua fundação, deixa muito a desejar como equipamento cultural e turístico. Quase não há intercâmbio entre o Centro e os grupos folclóricos de dança de Portugal, impedindo que muitas pessoas interliguem-se por laços culturais e visitem nossa cidade. Tanto o Salão Nobre como o Salão Cerejeira estão precisando de urgente manutenção. São dois grandes salões destinados a receber autoridades e acolher grandes festas. O salão Cerejeira é gracioso com seu mobiliário e piano do século XIX. O Salão Nobre é maior e todo ornamentado com pinturas parietais que, - sem discutir o gosto e seu valor estético - remetem aos feitos de glória portuguesa, com representações de passagens dos “Lusíadas” de Camões.

O Centro Português e o Turismo Cultural

No cenário do Turismo Cultural, o Centro Português de Santos, através da revitalização de seu acervo e potencialização dos equipamentos culturais, tem muito a oferecer. Merece consideração, pois é, juntamente com os equipamentos do Rio de Janeiro e da Bahia, testemunho vivo de um importante período de transformações históricas. Sem concorrentes na cidade, pois, seu prédio em estilo neomanuelino marca sua originalidade, superando as outras agremiações lusas no item arquitetônico. E principalmente, porque está situado num local que poderá se transformar em um importante corredor cultural, começando na praça dos Andradas, com a Cadeia Velha e O Teatro Guarany que será restaurado, seguindo pela Rua Amador Bueno e passando pela Biblioteca Municipal Alberto Sousa, que funciona no prédio da antiga sede da Associação Predial, num edifício neoclássico do início do século XX, chegando ao Centro Português de Santos e finalmente avançando em direção da antiga “Boca da Vila Nova”, onde encontramos o Teatro Coliseu, o Fórum , a Catedral de Santos, projetada pelo mesmo arquiteto que concebeu o projeto da Catedral da Sé, em São Paulo em estilo neogótico e o prédio da Sociedade Humanitária dos Empregados do Comércio, onde funciona a maior biblioteca da Baixada Santista.
Portanto, só neste “corredor” de turismo cultural, a cidade tem a ofertar três bibliotecas diferenciadas. È óbvio que existe a necessidade da construção de sanitários públicos na praça José Bonifácio, onde termina o roteiro, assim como a instalação de bebedouros. Antes de gastar dinheiro com obras faraônicas, deveríamos investir em nossa tradição e potencializar os equipamentos existentes, aproveitando todas as possibilidades do filão do turismo cultural, que se apresenta como importante referência no mundo todo, mesmo porquê, aqui recebemos o mundo através de nosso porto.
É importante perceber que a noção de patrimônio é algo relativamente recente no Brasil. Principalmente a valorização de um bem construído já no alvorecer do século XX, como é o caso do Centro Português de Santos.

Os republicanos, ao assumirem o controle político-institucional da Nação, procuraram desfazer-se de tudo que remetesse ao passado de herança colonial e às amarras do Antigo Regime, considerado como o grande responsável pelo atraso econômico e social do país. Isso explica, em parte, porque a cidade de Santos, uma das mais antigas do Brasil, e das primeiras a receber os artífices do projeto colonizador, possuir um patrimônio “pobre”, “escasso”, ou até mesmo “inferior”, na visão daqueles que só valorizam como bem patrimonial, os grandes conjuntos arquitetônicos coloniais, com seus casarios, igrejas e ornamentos barrocos ou rococós, bem como as paisagens bucólicas “intocáveis” da zona rural.

Até modernistas como Mário de Andrade e seu grupo de amigos intelectuais da elite paulistana, deleitaram-se na recomposição e restauro das cidades coloniais mineiras, missão que fazia parte do ideário contido na preparação de seu projeto de criação do antigo SPAN
(Serviço do Patrimônio Artístico Nacional), em 1937, o atual IPHAN. De qualquer forma, foi venerável a tentativa deste grupo de “eleitos” de apropriar-se do passado para criar uma identidade nacional.

Passando quase desapercebida, a introdução do termo Histórico, na instituição que cuida do patrimônio em nível nacional, se justifica plenamente, de acordo com os novos conceitos a respeito do tema.

Ora, a cidade de Santos foi testemunha de outros processos históricos que também deixaram marcas, apesar de ocorrerem em um período distante de jesuítas e capitães-do-mato, por exemplo. Assistiu, na medida em que isso ocorria com a mesma velocidade em São Paulo, justamente o contrário, ou seja, à decantação de tudo aquilo que representasse algum tipo de obstáculo aos interesses da economia cafeeira e seu casamento com a sociedade industrial (modernização das cidades portuárias, ferrovias etc).

Essa é, portanto, a visão que alarga a noção de patrimônio. Podemos considerar como um bem patrimonial, algo que funciona como um símbolo, um marco, uma representação social. Tudo que contribuir para a construção de uma sociedade ou civilização em determinada época ou período no tempo é um patrimônio, que se materializa através do olhar, da sensibilidade histórica, naturalmente.

Desta forma, o Centro Português de Santos está inserido no contexto do Turismo Cultural, pois, possui fragmentos e marcas de uma dada sociedade, lembranças de um momento importante do ponto de vista humano, histórico e cultural.

Os turistas e visitantes ficariam satisfeitos se o acervo da biblioteca do Centro Português fosse disponibilizado em freqüentes exposições temáticas. Os 500 anos do Descobrimento do Brasil, por exemplo, não tiveram sequer uma atitude neste sentido e a biblioteca está recheada com livros, mapas e outros ícones sobre a saga das navegações portuguesas. O próprio aniversário dos 450 anos da cidade de São Paulo não está separado deste contexto, uma vez que o porto de Santos não faria diferença alguma se não existisse o café para ser por ele exportado e vice-versa, incluindo-se nisto o trabalho dos imigrantes portugueses e toda a atmosfera social por eles criada.

O Centro Português possui um amplo espaço e ainda um anexo utilizado como salão de festas, equipado com cozinha. As exposições temáticas bem que poderiam conviver com as delícias da gastronomia portuguesa, que poderiam ser servidas em mesinhas no saguão de entrada, também bem amplo. Vinhos portugueses poderiam ser degustados e cds, ou discos compactos, de fado e música folclórica poderiam ser ali executados e comercializados, criando um ambiente agradável, ao contrário daquilo que se observa hoje, um lugar triste e mal conservado.

Tudo isto mesclado com apresentações de danças folclóricas, fariam do Centro Português, um delicioso espaço repleto de atrativos turísticos. Infelizmente, apesar do esforço de alguns abnegados que ainda tentam promover algumas festas e eventos, nada acontecerá realmente, se não houver investimentos em ações de marketing, uma vez em que vivemos na era da informação.

Políticas públicas de turismo cultural devem dar mais atenção a este tipo de equipamento, que envolve uma enorme gama de possibilidades.Santos recebe navios transatlânticos do mundo inteiro. Por que não potencializar o Turismo Cultural através das colônias estrangeiras que aqui se desenvolveram e criaram laços de amizade? Com a palavra a colônia portuguesa de Santos.
 
1Licenciado e Bacharel em História pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Católica de Santos. Trabalhou como pesquisador e coordenou roteiros históricos no Setor Pedagógico da Fundação Arquivo e Memória de Santos. Através desta instituição, escreveu inúmeros artigos sobre a história de Santos e do litoral paulista para o Diário Oficial do Município e Jornal Boqueirão News. Aluno da pós-graduação em Cidade e História da Unisantos, atualmente é professor efetivo das redes públicas municipais de Santos e Guarujá e presta assessoria histórica para agências de turismo da região da Baixada Santista – SP.
2Cf. Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses –Instituto Português do Patrimônio Arquitetônico e Arqueológico – O neomanuelino ou a reinvenção da arquitetura dos descobrimentos. Lisboa, 1994.
3D. Manuel I, rei de Portugal (1495-1521). Foi no seu reinado que Portugal atingiu o auge da expansão ultramarina e do poder imperial lusitano. Hábil estadista encarnou na figura do “venturoso”, o mito simbólico capaz de concentrar em seu poder, qualidades que julgava semelhantes aos imperadores romanos.
4Vasco Graça Moura foi o Comissário – Geral da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses. Lisboa, 1994.
5Cf. Jorge Henrique Pais da Silva, Páginas de História da Arte, II, Lisboa,1986, p. 162.
6Estes dados correspondem à realidade portuguesa que foi transferida para Santos devido à imigração. Em 1913, para cada 100 analfabetos em Santos, 66,62% eram portugueses. Cf. Maria Lúcia Caira Ghitay. Ventos do mar. Trabalhadores do Porto, Movimento Operário e cultura urbana em Santos, 1889-1914. Unesp-1992.
7A cidade de Santos assume extrema importância nos meados do século XIX como principal corredor de exportação do café. Milhares de imigrantes e migrantes ajudaram a construir a Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, inaugurada em 1867 e que trazia o café do interior para o porto, que também sofreu amplas intervenções, necessitando de mão-de-obra para sua expansão, atendendo aos interesses do sustentáculo da economia nacional no período.