1 - Por que retratar sobre a Inconfidência Mineira?
A Inconfidência Mineira foi uma página da história do Brasil que sempre me instigou muito, porque alcançou uma repercussão muito grande a partir da sua derrota. Ao contrário de outros grandes fatos bélicos que conhecemos na história mundial, que envolveram muita luta e foram reconhecidos pela vitória, a Inconfidência chama a atenção porque seu enorme fracasso parece ter sido a grande razão de seu sucesso.
2 - Por que a história de "Chagas da Inconfidência" vem inserida em um ambiente acadêmico?
Utilizei a minha experiência como professor, apesar de História não ser minha área, pois sou professor de Sociologia, no que diz respeito ao planejamento das aulas, às expectativas em relação aos alunos, às estratégias e aos hábitos pedagógicos. O professor protagonista faz de suas aulas verdadeiras peças teatrais, já que acredito que a sala de aula é, para o docente, um palco onde ele incorpora o seu personagem, que é diferente dele mesmo enquanto pai, marido, sócio de um clube, fiel de uma religião, enfim, seu papel como professor é distinto de seus outros papéis sociais.
3 - Como surgiu a idéia de inserir a parte de ficção na história?
Sempre tentei imaginar como os descendentes dos três traidores, (Joaquim Silvério dos Reis, Basílio de Brito Malheiro do Lago e Inácio Correia de Pamplona) execrados pela história oficial, deveriam se sentir.
Amaldiçoados, humilhados, condenados a um eterno suplício. Abominados como pessoas e cidadãos. Verdadeiros criminosos por hereditariedade. Assim, criei a personagem Carlota, uma filha bastarda do terceiro traidor, que, buscou de todas as formas redimir a imagem de seu pai, reescrevendo a Inconfidência e lutando com todas as armas contra a versão oficial do movimento mineiro.
4 - O personagem do professor Reinaldo Marins foi em homenagem ao vereador de Santos, Reinaldo Martins. Por que houve essa iniciativa?
O vereador Reinaldo Martins é professor de História aqui da UniSantos. Um professor que sempre tive como um exemplo de docente, que vive intensamente aquilo que transmite. Apesar de ter me baseado na minha experiência como professor, para criar a personalidade do personagem Reinaldo Marins, ele representa no livro um ícone como professor de História, assim como o vereador. O Marins é, então, uma homenagem minha ao grande amigo Martins.
5 - Ao ter a obra em mãos, correspondeu às suas expectativas?
Quando o livro ficou pronto, ele superou em muito as minhas expectativas. Não me refiro, evidentemente, ao conteúdo, mas a todo o trabalho de criação da parte gráfica, que foi extraordinário. Fiquei muito surpreso e emocionado com o livro pronto em mãos.
Sobre o autor:
Cláudio José dos Santos é formado em Pedagogia e pós-graduado em Ciências Sócias. É professor de Sociologia nos cursos de Direito, Comunicação Social e Arquitetura e Urbanismo e leciona a disciplina Metodologia do Trabalho Científico em cursos de Especialização em Direito Processual e Direito Empresarial da Coordenadoria Geral de Especialização, Aperfeiçoamento e Extensão da Universidade Católica de Santos, onde exerce, também, o cargo de Pró-Reitor Comunitário. |