{"id":1218,"date":"2023-11-01T11:36:31","date_gmt":"2023-11-01T14:36:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.unisantos.br\/observacbhbs\/?p=1218"},"modified":"2023-11-07T15:22:11","modified_gmt":"2023-11-07T18:22:11","slug":"especialistas-defendem-a-pedagogia-dos-rios-como-forma-de-conscientizacao-sobre-os-recursos-hidricos-na-regiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.unisantos.br\/observacbhbs\/especialistas-defendem-a-pedagogia-dos-rios-como-forma-de-conscientizacao-sobre-os-recursos-hidricos-na-regiao\/","title":{"rendered":"Especialistas defendem a pedagogia dos rios como forma de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre os recursos h\u00eddricos na regi\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>O Comit\u00ea de Bacia Hidrogr\u00e1fica da Baixada Santista (CBH-BS) atua dando apoio a projetos que contemplam as metas e a\u00e7\u00f5es dos Planos de Bacias.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><strong>Por Daniel Rodrigues e Igor de Paiva \u2013 da Ag\u00eancia de Not\u00edcias da \u00c1gua<\/strong><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Baixada Santista tem uma quantidade abundante de rios, s\u00e3o cerca de 21 sub-bacias, destas, 18 s\u00e3o rios, que juntas somam 2.800 km<sup>2<\/sup>, o que equivale a mais de 10 vezes o tamanho do territ\u00f3rio da cidade de Santos. Eles passam por todas as cidades da regi\u00e3o e servem para a subsist\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por essa import\u00e2ncia, a pedagogia e educa\u00e7\u00e3o dos rios deveria ser prioridade na matriz curricular do ensino b\u00e1sico e superior. Entretanto, na vis\u00e3o da educadora ambiental, Am\u00e9lia Ponte, o ensino desse tema nas escolas e universidades \u00e9 deficit\u00e1rio, j\u00e1 que os rios e seus problemas s\u00e3o discutidos pontualmente na \u00e9poca de enchentes. \u201cS\u00f3 podemos defender ou proteger algo quando o conhecemos. Moramos em uma regi\u00e3o recortada por rios e pouco se sabe sobre eles. O mesmo acontece com os manguezais\u201d, conta Am\u00e9lia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1223\" aria-describedby=\"caption-attachment-1223\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1223 size-medium\" title=\"Fonte: Prefeitura de Itanha\u00e9m\" src=\"http:\/\/www.unisantos.br\/observacbhbs\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2023\/11\/rio-itanha\u00e9m-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"180\" srcset=\"https:\/\/www.unisantos.br\/observacbhbs\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2023\/11\/rio-itanha\u00e9m-300x180.jpg 300w, https:\/\/www.unisantos.br\/observacbhbs\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2023\/11\/rio-itanha\u00e9m.jpg 750w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1223\" class=\"wp-caption-text\">Rio Itanha\u00e9m, conhecido como Amaz\u00f4nia Paulista, \u00e9 o encontro das \u00e1guas escuras do Rio Preto com as cristalinas do Rio Branco. (Fonte: Prefeitura de Itanha\u00e9m)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Nas escolas s\u00e3o estudadas as partes b\u00e1sicas do rio, como a nascente, o leito e a foz.\u00a0 Mas, tamb\u00e9m existem outros enfoques importantes sobre os cursos d&#8217;\u00e1gua como fonte de alimento, produtores de oxig\u00eanio (fitopl\u00e2ncton), transporte, pr\u00e1ticas esportivas, cultural, ocupa\u00e7\u00e3o humana na regi\u00e3o ribeirinha e econ\u00f4mica entre outros que poderiam ser mais aprofundados na educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cTrabalhar com projetos permite que os assuntos sejam discutidos sob diferentes olhares, como tema transversal as \u00e1reas da Biologia, Ci\u00eancias, F\u00edsica, Geografia, Hist\u00f3ria, Matem\u00e1tica, Portugu\u00eas, Qu\u00edmica, Sa\u00fade P\u00fablica e, assim, o estudante independentemente do n\u00edvel escolar teria uma vis\u00e3o completa e contextualizada do assunto\u201d, explica Am\u00e9lia.<\/p>\n<p>Nas redes p\u00fablicas de ensino de cada cidade da regi\u00e3o, cada gest\u00e3o tem um modo de como abordar o tema. No curr\u00edculo municipal das escolas de Santos, a tem\u00e1tica dos rios, \u00e9 discutida explicitamente no componente curricular de Geografia, tanto nos anos iniciais quanto nos finais do ensino fundamental.<\/p>\n<p>Nas Ci\u00eancias da Natureza, a preserva\u00e7\u00e3o dos rios tamb\u00e9m \u00e9 abordada quando se discute a import\u00e2ncia da mata ciliar da Mata Atl\u00e2ntica, ou quando tratamos dos manguezais. Na Seduc Santos, tem a\u00e7\u00f5es permanentes com o tema da Cultura Oce\u00e2nica, na toada da d\u00e9cada do oceano anunciada pela ONU. Tratar mares, florestas e rios de modo sist\u00eamico \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p>J\u00e1 a Prefeitura de S\u00e3o Vicente, informou que no curr\u00edculo pedag\u00f3gico \u00e9 apresentada a tem\u00e1tica dos rios da regi\u00e3o a partir do quinto do ensino fundamental, nos componentes de Ci\u00eancias e Geografia, tendo os seus saberes e especificidades aprofundados nos anos com o estudo dos ecossistemas costeiros, da conserva\u00e7\u00e3o e degrada\u00e7\u00e3o dos rios, qualidade ambiental, diferentes tipos de polui\u00e7\u00e3o, preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e ambiental e gest\u00e3o p\u00fablica da qualidade de vida na regi\u00e3o, possibilitando que os alunos proponham iniciativas de solu\u00e7\u00f5es ambientais para a comunidade e cidade.<\/p>\n<p>A rede municipal de Guaruj\u00e1 os rios com base nas propostas do Curr\u00edculo Paulista, elaborado pelo Governo do Estado de S\u00e3o Paulo. O documento possui diretrizes voltadas \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o Infantil e ao ensino fundamental. As quest\u00f5es geogr\u00e1ficas da Baixada Santista s\u00e3o abordadas em sala de aula conforme a necessidade de contextualiza\u00e7\u00e3o dos professores.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1226\" aria-describedby=\"caption-attachment-1226\" style=\"width: 207px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1226 size-medium\" src=\"http:\/\/www.unisantos.br\/observacbhbs\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2023\/11\/Nelson-Fehidro-207x300.png\" alt=\"\" width=\"207\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.unisantos.br\/observacbhbs\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2023\/11\/Nelson-Fehidro-207x300.png 207w, https:\/\/www.unisantos.br\/observacbhbs\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2023\/11\/Nelson-Fehidro.png 365w\" sizes=\"(max-width: 207px) 100vw, 207px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1226\" class=\"wp-caption-text\">Portero destaca apoio do CBH-BS a projetos que contemplam as metas e a\u00e7\u00f5es dos Planos de Bacias. (Fonte: Arquivo Pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n<p>O Comit\u00ea de Bacia Hidrogr\u00e1fica da Baixada Santista (CBH-BS) atua dando apoio a projetos que contemplam as metas e a\u00e7\u00f5es dos Planos de Bacias (da regi\u00e3o e Estado), \u00e9 o que conta o vice-presidente, Nelson Portero J\u00fanior. \u201cNossa participa\u00e7\u00e3o \u00e9 principalmente nas demandas de recursos financeiros oriundos da \u201cCobran\u00e7a (outorgas)\u201d e da Compensa\u00e7\u00e3o Financeira pelo Uso dos Recursos H\u00eddricos (CFURH)\u201d e, participando de projetos de educa\u00e7\u00e3o ambiental, al\u00e9m de encontros regionais, estaduais e at\u00e9 federal. Temos como meta atualiza\u00e7\u00e3o profissional de seus representantes\u201d.<\/p>\n<p>O vice-presidente afirma ainda que todos os rios t\u00eam sua import\u00e2ncia dentro da bacia, mas, pode-se mencionar um em particular que \u00e9 o Rio Itapanha\u00fa em Bertioga, que possui um Barco Escola em opera\u00e7\u00e3o (FEHIDRO). Ele \u00e9 um projeto fundado em 2013 da equipe de Educa\u00e7\u00e3o Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Bertioga, visando proporcionar uma viv\u00eancia sobre a import\u00e2ncia das florestas presentes nas \u00e1reas de matas ciliares, fauna terrestre e aqu\u00e1tica nativas do Munic\u00edpio.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1228\" aria-describedby=\"caption-attachment-1228\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1228 size-medium\" src=\"http:\/\/www.unisantos.br\/observacbhbs\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2023\/11\/barco-escola-1-300x169.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/www.unisantos.br\/observacbhbs\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2023\/11\/barco-escola-1-300x169.jpeg 300w, https:\/\/www.unisantos.br\/observacbhbs\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2023\/11\/barco-escola-1-768x432.jpeg 768w, https:\/\/www.unisantos.br\/observacbhbs\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2023\/11\/barco-escola-1.jpeg 1024w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1228\" class=\"wp-caption-text\">Barcos escola \u00e9 uma iniciativa de educa\u00e7\u00e3o ambiental em Bertioga. (Fonte: Prefeitura de Bertioga)<\/figcaption><\/figure>\n<p>No primeiro ano de funcionamento, o Barco Escola servia como sala de aula para os estudantes da rede p\u00fablica, no qual os alunos tiveram mais intera\u00e7\u00e3o com as li\u00e7\u00f5es e conte\u00fados relacionados ao tema. No projeto, eles tiveram a chance de conhecer os manguezais, a Mata Atl\u00e2ntica, a fauna e flora da regi\u00e3o. O barco \u00e9 uma chalana em alum\u00ednio e tem 14 metros de comprimento e seis de largura, com 40 lugares dispon\u00edveis para as crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Para entender a situa\u00e7\u00e3o dos rios da nossa regi\u00e3o, Portero diz que pode dividir ela em duas categorias: os rios que possuem o direito de outorga pelos seus usu\u00e1rios (qualidade, disponibilidade e quantidade) e os rios que recebem a carga org\u00e2nica (descarte) depois do tratamento de efluentes dom\u00e9sticos e industriais.<\/p>\n<p>Ele explica que os munic\u00edpios trabalham junto ao comit\u00ea fazendo parte da diretoria, c\u00e2maras t\u00e9cnicas e comiss\u00f5es especiais, com pessoas capacitadas em gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos. \u00c9 importante estarem juntos, porque cada cidade possui caracter\u00edsticas distintas e as atividades econ\u00f4micas se diferenciam na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Portero ressalta que \u00e9 preciso o monitoramento da qualidade desses recursos h\u00eddricos pois, s\u00e3o os principais fornecedores de \u00e1gua para abastecimento das cidades e de contato prim\u00e1rio para o consumo humano, o lazer e turismo.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o ambiental sempre esteve presente nas escolas da regi\u00e3o, \u00e9 o que conta o vice-presidente do CBH-BS. Por conta da relev\u00e2ncia do tema, h\u00e1 um cap\u00edtulo no Plano de Bacia da Baixada Santista (PDC 8) que trata desse assunto e h\u00e1 uma C\u00e2mara T\u00e9cnica de Educa\u00e7\u00e3o Ambiental que analisa as propostas submissas a projetos FEHIDRO.<\/p>\n<p>Tanto o Estado, Munic\u00edpio e Sociedade Civil, pleiteiam e desenvolvem projetos FEHIDRO que contemplam a\u00e7\u00f5es e metas nas escolas p\u00fablicas e particulares com o tema \u00e1gua.<\/p>\n<p><strong>Import\u00e2ncia dos rios<\/strong><\/p>\n<p>As \u00e1guas dos rios serviram de caminhos para o deslocamento em meio aqu\u00e1tico e at\u00e9, propiciaram plantios de subsist\u00eancia, \u00e9 o que explica a ge\u00f3loga e ge\u00f3grafa, Angela Frigerio. \u201cPode-se afirmar que os rios da Baixada Santista revelam fragmentos de um passado no presente e que oferecem m\u00faltiplas leituras, n\u00e3o s\u00f3 como palco de acontecimentos, mas guardam em si outras dimens\u00f5es do momento da hist\u00f3ria, enquanto momento de vida\u201d, conta .<\/p>\n<figure id=\"attachment_1221\" aria-describedby=\"caption-attachment-1221\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1221 size-medium\" src=\"http:\/\/www.unisantos.br\/observacbhbs\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2023\/11\/Profa-Angela-Frigerio-2-300x237.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"237\" srcset=\"https:\/\/www.unisantos.br\/observacbhbs\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2023\/11\/Profa-Angela-Frigerio-2-300x237.jpg 300w, https:\/\/www.unisantos.br\/observacbhbs\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2023\/11\/Profa-Angela-Frigerio-2.jpg 596w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1221\" class=\"wp-caption-text\">Professora Angela Frigerio: &#8220;rios revelam fragmentos do passado e do presente.&#8221; (Fonte: Arquivo Pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os principais rios da regi\u00e3o, em seus trajetos, percorrem dois cen\u00e1rios diferentes. Angela conta que o primeiro est\u00e1 relacionado \u00e0 Serra do Mar, onde s\u00e3o encontradas suas nascentes. Nesse ambiente, em meio ao imbricado de \u00e1rvores da floresta tropical \u00famida da Mata Atl\u00e2ntica, os rios s\u00e3o encachoeirados, torrenciais e com \u00e1guas que mudam de n\u00edvel com frequ\u00eancia porque s\u00e3o alimentados, principalmente, pelas \u00e1guas das chuvas que atingem a regi\u00e3o. Nesse espa\u00e7o, as \u00e1guas revelam-se cristalinas, mais protegidas da a\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>No segundo cen\u00e1rio esses rios passam a percorrer as plan\u00edcies costeiras onde o homem da Baixada Santista se instalou. Com fluxos mais calmos, ao encontrarem obst\u00e1culos, os rios passam a contorn\u00e1-los, dando origem a curvas sinuosas, num emaranhado de canais que recebem inclusive, nas proximidades de cada desembocadura, a influ\u00eancia das mar\u00e9s. \u00c9 a \u00e1gua salgada que avan\u00e7a silenciosamente pelo leito do rio, em sentido inverso e sob a \u00e1gua doce.<\/p>\n<p>Dentre esses rios, a ge\u00f3loga e ge\u00f3grafa afirma merecem destaque as sub-bacias dos rios, como: Itaguar\u00e9, Guaratuba, Itatinga, Sert\u00e3ozinho, Alhos e Itapanha\u00fa, em Bertioga; Cabu\u00e7u, Quilombo e Jurubatuba, na \u00e1rea continental de Santos; Cubat\u00e3o e Mogi, em Cubat\u00e3o; Boturoca e Pia\u00e7abu\u00e7u, em Praia Grande; Preto, Branco e Itanha\u00e9m, em Itanha\u00e9m; Una, Perequ\u00ea e Preto em Peru\u00edbe. \u201cTodos mant\u00eam um v\u00ednculo especial com o ser humano, seja para o abastecimento de \u00e1gua para as cidades, a exemplo dos rios Cubat\u00e3o e Jurubatuba, seja para a obten\u00e7\u00e3o de energia, a exemplo do rio Itatinga que ainda fornece energia para o porto de Santos, ou ainda para o abastecimento das ind\u00fastrias do polo de Cubat\u00e3o, a exemplo do rio Mogi\u201d, explica a ge\u00f3loga e g\u00e9ografa. Por\u00e9m, ela ainda ressalta que n\u00e3o se pode esquecer que os rios s\u00e3o tamb\u00e9m um meio de vida e abrigam ecossistema pr\u00f3prio onde se pode buscar o alimento que n\u00e3o pode faltar.<\/p>\n<p>Os rios tamb\u00e9m s\u00e3o marcados por press\u00f5es quando suas \u00e1guas passaram a servir para o descarte de efluentes industriais, de esgotos dom\u00e9sticos, de res\u00edduos s\u00f3lidos ou quando a pol\u00edtica habitacional levou as pessoas a constru\u00edrem moradias irregulares \u00e0s margens deles sem qualquer infraestrutura. Como consequ\u00eancia, Angela conta que a qualidade de suas \u00e1guas foi piorando rapidamente, trazendo preju\u00edzos para o desenvolvimento da vida aqu\u00e1tica e para o pr\u00f3prio consumo humano.<\/p>\n<p>Para preservar os rios da regi\u00e3o, \u00e9 preciso a sensibiliza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, por isso, deve-se tamb\u00e9m priorizar o p\u00fablico infantil para que os rios venham a ser ressignificados e passem a ser componentes fundamentais de sua identidade. \u201c\u00c9 importante que haja a apropria\u00e7\u00e3o de como s\u00e3o os rios, seus dinamismos, de modo que as experi\u00eancias educativas ganhem um sentido p\u00fablico de forma\u00e7\u00e3o\u201d, explica Angela.<\/p>\n<p><strong>\u00c1gua subterr\u00e2nea<\/strong><\/p>\n<p>Na regi\u00e3o, existe um sistema integrado de abastecimento de \u00e1gua que inclui a capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua a partir de 26 rios, que \u00e9 tratada em esta\u00e7\u00f5es de tratamento localizadas em v\u00e1rios munic\u00edpios. Na vis\u00e3o do professor da UniSantos e geof\u00edsico, Oleg Bokhonok, mesmo com recursos insuficientes para abastecer com seguran\u00e7a toda a popula\u00e7\u00e3o, a Sabesp est\u00e1 investindo cerca de duzentos milh\u00f5es de reais para melhorar a situa\u00e7\u00e3o. \u201cApesar de todo o esfor\u00e7o e investimentos que est\u00e3o sendo feitos pela Sabesp, um dos maiores desafios na Baixada Santista ainda \u00e9 fornecer \u00e1gua pot\u00e1vel para as comunidades isoladas, onde a falta deste recurso pode acarretar riscos para a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o que reside nesses locais\u201d.<\/p>\n<p>Em alguns casos, por exemplo, a alternativa para abastecer essas comunidades \u00e9 a instala\u00e7\u00e3o de po\u00e7os para explorar \u00e1gua subterr\u00e2nea. Na Baixada Santista, o professor e geof\u00edsico conta que existem dois sistemas de aqu\u00edferos: aqu\u00edfero sedimentar litor\u00e2neo e aqu\u00edfero pr\u00e9-cambriano (cristalino). Por\u00e9m, de acordo com Bokhonok, com o n\u00edvel de caracteriza\u00e7\u00e3o desses aqu\u00edferos \u00e9 imposs\u00edvel saber se em um determinado local (comunidade isolada) seria vi\u00e1vel construir um po\u00e7o para extrair \u00e1gua com potencial de ser pot\u00e1vel ap\u00f3s o tratamento.<\/p>\n<figure id=\"attachment_783\" aria-describedby=\"caption-attachment-783\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-783 size-medium\" src=\"http:\/\/www.unisantos.br\/observacbhbs\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2022\/09\/oleg-3-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/www.unisantos.br\/observacbhbs\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2022\/09\/oleg-3-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.unisantos.br\/observacbhbs\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2022\/09\/oleg-3-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.unisantos.br\/observacbhbs\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2022\/09\/oleg-3-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.unisantos.br\/observacbhbs\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2022\/09\/oleg-3.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-783\" class=\"wp-caption-text\">Oleg: um dos maiores desafios na Baixada Santista ainda \u00e9 fornecer \u00e1gua pot\u00e1vel para as comunidades isoladas. (Fonte: Arquivo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n<p>A recomenda\u00e7\u00e3o, de acordo com Bokhonok para evitar os riscos ambientais e econ\u00f4micos na implementa\u00e7\u00e3o de um projeto de perfura\u00e7\u00e3o de po\u00e7os de \u00e1gua \u00e9 efetuar como etapa anterior, a prospec\u00e7\u00e3o de recursos h\u00eddricos subterr\u00e2neos usando m\u00e9todos geof\u00edsicos (el\u00e9tricos, eletromagn\u00e9ticos e s\u00edsmicos). \u201cA presen\u00e7a de sedimentos saturados com \u00e1gua subterr\u00e2nea salobra na nossa regi\u00e3o realmente \u00e9 um desafio, principalmente para os m\u00e9todos el\u00e9tricos e eletromagn\u00e9ticos, pois a condutividade baixa do meio pode afetar, por exemplo, a profundidade de investiga\u00e7\u00e3o\u201d, explica Bokhonok. Para ele essa limita\u00e7\u00e3o vira vantagem quando o objetivo do estudo \u00e9 justamente delimitar a intrus\u00e3o salina nos aqu\u00edferos na nossa regi\u00e3o, a maneira como a salinidade afeta os dados geof\u00edsicos permite entender se a \u00e1gua est\u00e1 contaminada com sal ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Atualmente Bokhonok est\u00e1 coordenando dois projetos financiados pelo Fundo Estadual de Recursos H\u00eddricos (FEHIDRO) e Universidade Cat\u00f3lica de Santos, que visam a caracteriza\u00e7\u00e3o geof\u00edsica dos aqu\u00edferos, com objetivo de entender \u00e0 disponibilidade h\u00eddrica subterr\u00e2nea e identificar os locais com maior probabilidade de presen\u00e7a de \u00e1gua subterr\u00e2nea na Baixada Santista, com olhos voltados \u00e0s comunidades mais isoladas.<\/p>\n<p>Nos n\u00edveis mais rasos, como no do len\u00e7ol fre\u00e1tico de um a dois metros, \u00e9 comum ela ter uma apar\u00eancia turva e conter grande quantidade de subst\u00e2ncias. Nos aqu\u00edferos localizados em profundidades maiores tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel encontrar \u00e1gua com esse aspecto, principalmente em lugares com a presen\u00e7a de intrus\u00e3o salina. No entanto, existem as \u00e1reas na regi\u00e3o onde a \u00e1gua subterr\u00e2nea pode ter boa qualidade e ser uma boa alternativa para o uso residencial e industrial.<\/p>\n<p><strong>Limpeza de bacias e manguezais<\/strong><\/p>\n<p>Com o intuito de reduzir a quantidade de pl\u00e1stico nos manguezais e mares que rodeiam as cidades da Baixada Santista, o Instituto Ecofaxina tem atuado na limpeza e na recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas. Ela \u00e9 uma associa\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos, fundada em Santos, em 2008. O diretor-presidente do Ecofaxina, William Rodriguez Schepis, contou que ela foi criada a partir da percep\u00e7\u00e3o de grande quantidade de res\u00edduos que o pr\u00f3prio mar depositava nas praias, n\u00e3o s\u00f3 de Santos, mas tamb\u00e9m de S\u00e3o Vicente, Guaruj\u00e1 e Praia Grande.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1231\" aria-describedby=\"caption-attachment-1231\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1231 size-medium\" src=\"http:\/\/www.unisantos.br\/observacbhbs\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2023\/11\/ecofaxina-300x225.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www.unisantos.br\/observacbhbs\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2023\/11\/ecofaxina-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.unisantos.br\/observacbhbs\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2023\/11\/ecofaxina-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www.unisantos.br\/observacbhbs\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2023\/11\/ecofaxina-1024x768.jpeg 1024w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1231\" class=\"wp-caption-text\">Ecofaxina atua na limpeza do mar, mangues e na conscientiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. (Fonte: Ecofaxina)<\/figcaption><\/figure>\n<p>O foco principal do instituto \u00e9 em regi\u00f5es de mangue e em lugares como o Dique da Vila Gilda. O Ecofaxina tamb\u00e9m tem dialogado com o poder p\u00fablico em torno de um projeto para trabalhar juntos com as comunidades. \u201cNesse projeto a comunidade se torna protagonista das a\u00e7\u00f5es de limpeza, com a formaliza\u00e7\u00e3o de uma cooperativa. De l\u00e1 para c\u00e1 viemos conversando com a Prefeitura buscando viabilizar uma \u00e1rea que precisa ser na margem estuarina para fazer esse trabalho com embarca\u00e7\u00f5es e acessar o manguezal para que a gente pudesse implantar essa base operacional e come\u00e7ar a realizar esse trabalho diariamente e a\u00ed com a instala\u00e7\u00e3o de barreiras eco barreiras\u201d, explica Schepis.<\/p>\n<p>H\u00e1 quase 12 anos, o Ecofaxina discute sobre a instala\u00e7\u00e3o de ecobarreiras como um equipamento necess\u00e1rio para fazer a conten\u00e7\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos flutuantes e trazer uma maior efici\u00eancia na retirada desses res\u00edduos. \u201cO projeto ele engloba essa forma\u00e7\u00e3o de frente de trabalho de moradores de comunidade de palafita organizados de forma cooperativa, instalando essas ecobarreiras nas proximidades do Largo da Pombeba, onde a gente tem a intersec\u00e7\u00e3o de tr\u00eas munic\u00edpios que possuem comunidades de palafita naquela regi\u00e3o, que \u00e9 Santos, S\u00e3o Vicente e Cubat\u00e3o\u201d, conta o Schepis. E esses agentes ambientes, eles moram na comunidade, orientam e fazem esse trabalho de educa\u00e7\u00e3o ambiental, de conscientiza\u00e7\u00e3o a respeito da separa\u00e7\u00e3o do res\u00edduo e do descarte correto.<\/p>\n<p>Segundo Schepis, o descarte nas comunidades de palafita \u00e9 feito em grande parte por moradores que n\u00e3o t\u00eam como fazer o descarte de outra forma por n\u00e3o ter nenhuma op\u00e7\u00e3o correta de descarte. Por isso, o instituto vem buscando implementar uma educa\u00e7\u00e3o ambiental para que eles possam exercer uma mudan\u00e7a de h\u00e1bitos e come\u00e7ar a fazer a destina\u00e7\u00e3o correta do pl\u00e1stico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Comit\u00ea de Bacia Hidrogr\u00e1fica da Baixada Santista (CBH-BS) atua dando apoio a projetos que contemplam as metas e a\u00e7\u00f5es [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":15,"featured_media":1244,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,10,1,13,12],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.unisantos.br\/observacbhbs\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1218"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.unisantos.br\/observacbhbs\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.unisantos.br\/observacbhbs\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.unisantos.br\/observacbhbs\/wp-json\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.unisantos.br\/observacbhbs\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1218"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/www.unisantos.br\/observacbhbs\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1218\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1258,"href":"https:\/\/www.unisantos.br\/observacbhbs\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1218\/revisions\/1258"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.unisantos.br\/observacbhbs\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1244"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.unisantos.br\/observacbhbs\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1218"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.unisantos.br\/observacbhbs\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1218"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.unisantos.br\/observacbhbs\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1218"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}